Qual o motivo de golpes antigos continuarem tendo sucesso online?

 



Pode parecer algo absurdo, mas alguns golpes praticados online já são antigos nesse meio e muita gente continua caindo neles. O motivo é simples, falta de educação sobre segurança. Muitas vezes, as pessoas utilizam dispositivos sem ao menos um antivírus e isso se dá por que a maioria dos usuários da rede é migrante digital, ou seja, conheceu o mundo sem Internet e o mundo depois da Internet, e não tem a mais vaga ideia do que pode acontecer.

Você deve estar pensando, “ah, mas isso só acontece com idosos que não sabem mexer na rede.” Ledo engano. Muitos cidadãos não estão cientes dos perigos online porque simplesmente nunca ouviram falar deles ou não tem dimensão do estrago que podem causar. Vejam, a Internet é um mundo que é tratado por seus usuários como a sua vizinhança. Pessoas se expõem diariamente sem a mínima noção de quem está do outro lado.

Muitas vezes, o próprio usuário acaba munindo os cibercriminosos. Um dos conceitos mais famosos é o da engenharia social. Onde o golpista utiliza elementos da vida da vítima para tornar a prática mais assertiva, com menos cara de golpe. Por vezes, já sabem como a vítima se porta online, locais que frequenta, tudo para tornar plausível, para que ninguém desconfie que é um golpe.

Além disso, de outro lado, as empresas provedoras de aplicações muitas vezes não utilizam meios aptos a proteger os usuários para evitar problemas. Um exemplo disso é o golpe do sim swap, no qual o cibercriminoso bloqueia o número da vitima por perda ou roubo junto a operadora e em seguida resgata o chip na loja ao se passar por ela. Veja, essa prática já é antiga, mas até hoje não existe um consenso acerca do que fazer para se proteger, e as operadoras também não investem em segurança porque estão interessadas em reutilizar o número caso o titular da linha dê margem para que a posse deste retorne à operadora (como por exemplo, não recarregar o pré pago).

Uma vez que atribuído a um indivíduo, um número de celular se torna um dado pessoal, não pode ser transferido de qualquer jeito, e aliás, muitas vezes eles são comprados, o que torna a prática ainda mais absurda.

O que podemos fazer, enquanto usuários da rede, é ficar atentos ao que fazemos online e investir tanto em educação digital (através de pesquisas de dicas de como evitar que tal coisa seja feita) e em softwares de segurança, pois prevenir é bem melhor do que remediar depois de um belo prejuízo.

Thaynara Cruz

Advogada especialista em direito digital e proteção de dados pessoais. 

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